Mestre de obras volta a estudar para tentar cursar Engenharia Civil

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mestre de obras volta a estudar para tentar cursar engenharia civil3 Mestre de obras volta a estudar para tentar cursar Engenharia Civil
 

Mestre de obras, Jonivon Pereira da Silva, 38 anos, quer mudar de vida. Para isso, voltou a estudar para prestar vestibular pela primeira vez e tentar cursar engenharia civil na Universidade Federal de Goiás (UFG). Trabalhando desde os 12 anos, ele dorme cerca de 5 horas por dia para conciliar emprego, estudo e o cuidado com as filhas. “O mais difícil é começar. Sei das dificuldades, mas não vou desistir. Agora, é a minha vez”, ressalta.

Natural de Riachão (MA), o mestre de obras trabalha com construção civil desde que chegou a Goiânia, há 15 anos. Ele até tentou mudar de área de atuação em busca de um emprego que “saísse mais limpinho” mas viu que não era o queria. “Fiz curso técnico de enfermagem. Trabalhei por um tempo em laboratório, mas vi que não era minha área. Gosto é disso aqui”, reforça.

Jonivon começou como pedreiro e, em busca de crescimento, fez curso técnico de mestre de obras. “Quando terminei, o curso pensei: ‘Não vou parar por aqui'”.

Além de gostar da área, a expansão do mercado imobiliário também pesou no momento de escolher a futura profissão. “É a área do momento. A demanda é grande. Falta mão de obra. Trabalho em duas obras, mas uma está quase parada porque falta funcionário”, afirma.

Por trabalhar tanto tempo com construção civil, ele acredita que vai ter facilidade no curso. Mas o maior desafio é ingressar em uma universidade. Por isso, começou no início do ano um cursinho gratuito para pessoas de baixa renda. “Terminei o ensino médio com 28 anos. Estava há 10 anos sem estudar matérias de vestibular. Quando soube do cursinho, não quis deixar a oportunidade escapar”, diz.

Ao voltar para a sala de aula, Jonivon percebeu que ia ter de se esforçar muito para alcançar o nível da turma. “Estou muito desatualizado das coisas. Mudou muita coisa de lá para cá. A turma é jovem. No começo fiquei meio perdido no meio da garotada”, conta.

Jonivon não fica com dúvidas em sala de aula: “É a oportunidade que eu tenho de aprender. Então, se não entendo, eu pergunto. Às vezes, sei que atrapalho um pouco a aula, mas não posso ir pra casa com dúvida. Para não prejudicar tanto os outros, eu paro o professor no corredor ou então pergunto a um colega no final da aula. É um pessoal muito amigável, todos me ajudam”.

 

Esforço

 

mestre de obras volta a estudar para tentar cursar engenharia civil2 Mestre de obras volta a estudar para tentar cursar Engenharia Civil
 

No cursinho das 19h às 22h, o mestre de obras chega em casa e vai estudar pelo menos até meia-noite. “Estudo muito em casa. Depois do cursinho reviso as matérias. Dedico mais ainda no final de semana, porque não trabalho”.

O esforço de Jonivon chama a atenção do professor de história e coordenador do cursinho popular, Alan de Medeiros. “Mesmo trabalhando o dia inteiro, ele é um dos alunos que menos faltou e sempre presta atenção na aula”.

Para o professor, a postura do mestre de obras de perguntar para tirar dúvidas é um exempo. “Alunos mais velhos têm mais dificuldade em questionar. Eles têm vergonha. Mas os questionamentos geralmente são relevantes. Além disso, é importante para o aprendizado, pois não podem ignorar as dúvidas”, afirma Alan.

A primeira fase do processo seletivo da UFG acontece no próximo domingo (10). “Estava mais ansioso. Fiquei mais tranquilo depois de fazer o Enem [Exame Nacional do Ensino Médio] porque nunca tinha feito nada parecido. Estou procurando controlar a ansiedade para a prova de domingo”.

Se não for aprovado neste ano, Jonivon afirma que não vai parar de estudar, pois sabe que o curso de engenharia civil é um dos mais concorridos nas universidades de todo o país. Na UFG, é a segunda graduação mais disputada. Por isso, ele estabeleceu um prazo de dois anos para estar na faculdade. “Não é fácil, mas estou trabalhando para isso e não vou desistir”.

Mesmo focado em cursar engenharia, o mestre de obras pondera que não pode atrapalhar o emprego e deixar de conviver com as três filhas. “Perco muito sono, mas não posso me prejudicar na obra. Não moro com minhas filhas, mas faço questão de ver sempre e elas ficam comigo no final de semana”, ressalta.

 

FONTE: G1

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